Balenciaga Fall/Winter 2022-23. Uma coleção em ambiente inóspito

Quem nunca foi despejar o lixo debaixo de um nevão intenso, que atire a primeira bola de neve. De um frio cortante e em nada cosy, o desfile foi arrojado mas arriscou a que, pelo menos os presentes, não conseguissem ao certo perceber o que estavam exatamente a ver. Além do saco do lixo (os azuis e amarelos são os nossos preferidos) não deve ter sido nada fácil escrutinar uma colação a braços com o maior nevão da década – assim foi a coleção de outono/inverno, com óculos meio Matrix, meio isto já não se usa, mas afinal o brega, o fuleiro, está aí para as curvas (e é, ao fim ao cabo, Balenciaga, meus caros, ainda que trashy). Mas se acha que é meramente estético todo o cenário desafiante, não podia estar mais longe da verdade. O diretor criativo da Balenciaga, Demna Gvasalia, de acordo com a Vogue, terá decidido seguir em frente com o desfile apesar de ter hesitado. A razão? Demna foi ele mesmo refugiado com apenas 10 anos, a fugir da guerra em Abkhazia, na Geórgia, em 1993. “Fiquei a pensar durante um tempo: o que é que estamos a fazer aqui, com a moda? Devo cancelar? Mas não: decidi que devemos resistir.”

Fonte: Vogue